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A Ressurreição da Jurupari da Coaracy: Crônica de um Sábado de Aleluia

  Naquele rincão onde o tempo parece cochilar à sombra das mangueiras e os causos ganham asas ao cair da tarde, ecoou mais um capítulo do já famoso Treta Gospel, anunciado em tom de arauto: “Extra, extra!”, já iam dizendo, “qualquer semelhança com a realidade é mera saliência da minha parte"  Era sábado de aleluia, dia em que, segundo os antigos, o mundo dos vivos e dos que já partiram se roçam como véus ao vento. Mas naquele ano,não houve Judas pendurado. Em seu lugar, surgiu ela: a lendária Jurupari  da Coaracy. Dizem que, enquanto as almas seguiam seu cortejo silencioso rumo à Igreja de São Benedito, em busca de preces e redenção, a tal criatura resolveu antecipar a própria liturgia. Apareceu primeiro, audaciosa, quase solene, quase profana, subindo sem cerimônia sobre um caixão ainda cercado de murmúrios. E não veio de qualquer jeito, não. Veio com sua sandália enfeitada de paticholi ainda da época que nem o Zé Bonitinho existia, reluzente como se tivesse atravessado ...
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JURUPARY DA LUANDA

  Crônica de um Reino Antigo: A Jurupari da Luanda Para vós, amantes das eternas tretas gospel, é chegada a hora de registrar nos anais deste reino uma história que, até hoje, provoca gargalhadas entre os cascas de bala da não tão nova geração na ilharga da mulher Xafariz.  Pela honra e glória da respeitável família alenquerense, apresento-vos uma figura que já percorreu mais becos e comentários do que muito trovador de feira: a célebre Jurupari da Luanda. Era, dizem os cronistas populares, uma peste cheia de lari-lari. No seu próprio imaginário, mantinha estreita amizade com o alto clero da Coaracy Nunes, como se fosse frequentadora assídua dos corredores mais nobres daquele respeitável reduto. Jurupari, que de inocente tinha pouco e de barra pesada tinha muito, acabou por se apaixonar pelo famoso Cara de Maçã Verde. Contudo, corria pelas ruas e vielas deste reino encantado uma versão curiosa da história: segundo ela própria anunciava, ninguém jamais se apaixonara por sua pes...

O Evangelho Segundo os Bastidores do Castelo

 E no Treta Gospel de hoje… Era uma vez um reino tão, tão distante que as muralhas protegiam o castelo… mas não protegiam as reputações. Entre banquetes, discursos solenes e orações em praça pública, desfilava a dama que se julgava bela como Atena. Caminhava com passos calculados, olhar treinado e postura copiada... porque sim, a corte inteira comentava que ela imitava a icônica Rainha Má. Copiava o semblante. Copiava a altivez. Só não copiava o desfecho… por enquanto. Enquanto isso, seu marido, cavaleiro real, coração e percepção em modo descanso,comemorava a promoção a comandante da guarda real do condado vizinho. Uma promoção tão conveniente que parecia ter sido escrita com tinta estratégica. Dizem que inspiração veio direto da escola de conflitos de Ares, onde guerras não começam com espadas, mas com vaidades. Os papiros perfumados iam e vinham pelos corredores do castelo. Até que um deles, por providência celestial (ou descuido do mensageiro), caiu nas mãos desta narradora, qu...

O Conde Azedo

Queridos e gentis leitores, não é Bridigerton, mas é o Reino dos Azedos. Abram alas, pois o primeiro capítulo da Treta Gospel deste ano acaba de chegar .Para curiosidade de uns para gargalhadas de outros  Era uma vez, em um reino tão, tão distante, um conde de aroma duvidoso. Reza a lenda que o negócio era tão azedo que até o Rexona, fiel ao slogan “não te abandona”, pediu exoneração imediata e recomendou apenas o essencial: banho, limão-galego e um fiapo de vergonha na cara. Endividado até o último fio de cabelo, devendo a Deus, ao mundo e a meio reino, o conde tinha um talento especial: emprestar dinheiro a torto e a direito — não por bondade, mas para sustentar os luxos da concubina. O curioso é que, quando os credores cobravam, o fedorento se transformava: espumava de raiva, ameaçava, batia no peito e rugia como se fosse leão… embora fosse só um gato molhado com coroa torta. Achava-se tão brabo que nem os avisos do reino surtiram efeito. Envolvido em confusões, usurpação de gad...

A Cura Gay

  “A Cura Gay” — Crônicas do Reino Tão, Tão Distante. Enio: casado, com filhos, bem-sucedido, cidadão exemplar, pagador de impostos, desses que devolvem até troco errado. Aparentemente, um homem do bem. Sérgerte:gay assumido, alegre, cheio de prosas e trejeitos, capaz de deixar qualquer novela mexicana com inveja. (A essa altura você já sabe perfeitamente onde esse enredo vai parar, né?) Era uma noite de outono no reino tão, tão distante. Não há registros oficiais de como a prosa começou, nem o escriba da vila, fofoqueiro de plantão, sabe, mas a cena lendária começa a ser descrita agora. Apertem os cintos e segurem a peruca! Muita gente vai se reconhecer, mas fiquem tranquilos: nem sob tortura a identidade de Batman e Robin será revelada. Pois bem: Enio e Sérgete marcam um encontro num lugarejo afastado, onde só tem mato, grilos e segredos. Sérgete prometia uma noite tórrida. Enio estava emocionado, quase recitando poesia. Sérgete? Queria mesmo era curtição e talvez um caos contro...

O LABUBU DO DIABO

  EXTRA, EXTRA! O TRETA GÓSPEL DO REINO DO Reino da Jaca Podre, chegou!  Uma crônica medieval para almas curiosas e gargalhadas afiadas. Ouvi, ouvi, ó nobres damas, valentes cavaleiros, moças prendadas e rapazes andarilhos! Das profundezas do muito-o-que-fazer e das catacumbas do “não-acredito-que-isso-aconteceu”, emerge esta narradora para vos contar a saga , ou desgraça do mais pitoresco sujeito que já pisou no Reino da Jaca Podre . Preparem-se, porque hoje o imaginário das almas desnudas e curiosas será mexido com força!  O Protagonista? Um Parvo de Marca Maior. Era uma vez, num reino tão, tão distante que até o mapa desistiu de procurar, um ladrão de galinhas. Sim, meus caros: o cabra surrupiou o galinheiro que o Chefe do Feudo havia deixado sob sua guarda. Com o fruto da malandragem construiu sua casinha avaliada em 35 mil pilas... porque até para ser trambiqueiro precisa saber fazer contas. Quando descobriram, o castigo foi o clássico medieval: “rá, ré, rí, ró… RUA!...

Marechal da Vitória

 24 de outubro de 1996. Eram pouco mais de sete da manhã. Eu estudava no Colégio Moderno. Ao entrar, meus olhos pousaram no orelhão à direita e um pressentimento me atravessou o peito. Senti que não poderia esperar até mais tarde para lhe dar os parabéns. Peguei o telefone e disquei. Do outro lado, a tua voz… já não era a mesma. O Marechal da Vitória, o homem imponente que sempre enfrentou a vida de cabeça erguida, lutava contra um inimigo invisível há mais de um ano , e eu percebi, ali, que a batalha estava chegando ao fim. Disse que te amava e desliguei. Corri ao banheiro e chorei copiosamente. Agradeci a Deus pela graça de ter sido tua filha  e pedi que Ele aliviasse teu sofrimento. Foi quando percebi o quanto eu era egoísta: todos os dias pedia que Deus te deixasse comigo, sem entender que os heróis também merecem descanso. Três dias depois, quando minha mãe te disse que eu havia chegado, você respondeu com a doçura de sempre: "A minha filha querida chegou?" E então, part...

A Cidade que me esperava .

  A Cidade Que Me Esperava A dor humilha. Há mulheres que tentam dar conta de tudo, mesmo quando estão despedaçadas por dentro. Entre sentir demais e se anestesiar para sobreviver, eu aprendi que amadurecer é encontrar a linha tênue entre se permitir e se proteger. É atravessar a dor até o renascimento, aprendendo a ser inteira e a amar a si antes de amar o mundo. Foi nesse estado de alma que sonhei que voltava para casa. Não a casa onde moro, mas aquela onde mora tudo o que sou: o cheiro do rio, as lembranças da infância, o silêncio das coisas que nunca se dizem. No sonho, peguei um barco. Era como se o tempo remasse comigo, empurrando as águas para que eu retornasse às raízes. Mas o destino,sempre cheio de caprichos, me deixou em outra cidade. Não era a minha, mas havia nela algo de familiar: ruas em declive, casas que conversavam pelas janelas abertas, uma igreja abençoando os passos de quem passava. Tudo ali era antigo, mas ainda vivo, como as saudades que se recusam a morrer. ...

Memórias do Majestoso Grupo

  Memórias do majestoso Fulgencio Simões Toc, toc, toc... lá vinha ela: Maria Dalilia de Oliveira Martins. Impecável, elegante no seu salto agulha, vestida com seu taiê colorido, cabelo joãozinho, esbanjando autoridade e impondo respeito. Ah, e como nos cobrava disciplina e educação! Confesso: foram os melhores anos da minha vida escolar no querido Fulgencio Simões. Eu mesma havia pedido pra sair da Tia Carícia porque “todo mundo” estudava no grupo. Mal sabia eu que estava entrando em um lugar que deixaria marca eterna na minha história. Maria Dalilia não deixava passar nada, e quem ousasse desafiar os bons modos já sabia: “Escreva 100 vezes: devo respeitar a minha professora”. O castigo vinha com gosto de aprendizado e hoje, com maturidade, só consigo agradecer. Naquela época, convivíamos com tantos colegas inesquecíveis: Sió, Kátia, Rubens, Tayssa… a lista é longa e cheia de boas risadas. Ainda sinto o cheiro da minha primeira melissinha de morango, uma conquista que parecia o au...

O Caráter de Troia

  O Caráter de Troia Desde o início, Cristina sabia: havia em Carlos um desvio de caráter. Era inteligente, sagaz, de fala envolvente — mas também carregava consigo um fio tortuoso, quase invisível, que feria sem pudor os que dele se aproximavam. Ainda assim, Cristina exercitou a empatia. Caminhou ao seu lado, acreditando que até o barro rachado pode, um dia, ser moldado em vaso novo. Carlos tinha vícios. Um dia furtou um objeto que estava sob a responsabilidade de Cristina. Inventou calúnias graves a respeito dela. E, mesmo assim, ela o relevou. “Setenta vezes sete”, pensava, lembrando das palavras de Cristo. Mas no tempo certo, a verdade veio à tona. Cristina descobriu que não eram deslizes de momento, mas estratégias: Carlos orquestrava ataques contra ela. Montagens com fotos, manipulação de pessoas, alianças com inimigos declarados. E o mais doloroso: enquanto Cristina dobrava os joelhos em oração por ele, pedindo a Deus que o guardasse num dos momentos mais delicados da vida d...

ODE O SILÊNCIO QUE FALA

Ode ao Silêncio que Fala Por : Silvana Valente Silêncio não é ausência, é presença que sussurra nos espaços entre as palavras, nos gestos contidos, nos olhos que se calam. Ele fala quando a alma não encontra abrigo nas vozes, quando o mundo é barulho demais e o peito precisa respirar. Silêncio grita verdades que o som não alcança. É eco de pensamentos profundos, abrigo das dores não ditas, caminho das preces sem altar. Na quietude ele dança, entre as frestas da madrugada, no intervalo de um olhar, na pausa entre o sim e o não. Ali, ele vive inteiro. Fala com a força de quem não precisa provar, de quem sabe que há beleza em simplesmente estar. Silêncio... meu confidente, minha casa, minha oração.

Nem toda alma penada vem do além.

Oi, humanos! O Treta GOSPEL tá na área — mais quente que o deserto do Saara e mais embolado que grupo de oração em noite de revelação. Era uma vez, num reino tão, tão distante, uma figura mitológica chamada Lilim — criatura de modos vulgares, alma maldosa e dom natural pra intriga, que adoraria ser lembrada por sua luz… mas só brilha mesmo nas trevas da fofoca. Lilim vive tentando cavar fama nos grupos do reino — e se não for por talento, vai pelo escândalo mesmo. Sua especialidade? Envenenar relações, fabricar narrativas e se colocar como vítima profissional no tribunal da opinião alheia. Dizem que ela já tentou destruir a reputação de um nobre "mestre" do reino, inventando uma gravidez com direito a boatos de aborto forçado. Só que… era invenção da mona! A mentira era tão grotesca que a mãe do mestre precisou intervir pessoalmente com a família da criatura pra tentar acabar com a loucura. — Agora a gente entende de onde vem tanto ódio pelo mestre, né? Rejeição. E como boa a...

A errada fui eu

  Texto dedicado Josiel Guimarães . Reflexão matutina : 07/ 08/2025. Outro dia, eu estava com meu amigo Josiel Guimarães, em meio a uma das nossas maravilhosas conversas reflexivas, e falei: "Eu fui a errada por ter dado liberdade demais." Fui a errada por ter tido empatia por alguém que todos já haviam me alertado. Por ignorar sinais óbvios, por acreditar que minha boa intenção seria suficiente para transformar o que, na verdade, nem sequer tinha base para mudança. Como eu pude descer ao nível de uma pessoa desclassificada, que odeia todo mundo, que vive mergulhada na própria insignificância e só sabe sobreviver da guerra que ela mesma cria? Como pude me comportar de maneira tão raivosa, tão baixa, em resposta a alguém que só merecia o meu silêncio, o meu afastamento… e, se possível, as minhas orações? A verdade é que às vezes a gente perde tanto tempo tentando ser justa, tentando “fazer diferente”, que esquece que existem pessoas que não merecem a nossa profundidade . Merec...

A MOÇA DO GALINHEIRO E O GIRINO SEDUTOR

     A moça do Galinheiro e o Girino Sedutor.  Texto: Silvana Valente.  🚨 EXTRA! EXTRA! TRETA GOSPEL NO AR! 🚨 Prepare-se, povo de passo lento, que lá vem história pra turbinar sua semana! Era uma vez, num vilarejo tão, mas tão distante, onde o tico-tico não canta junto com o beija-flor e o cururu nasceu se achando girino estrela... Descobri, assim como quem vai só comprar um sabão no mercadinho e volta com fofoca fresca, que alguém caiu no conto da vigarice! A tal da Lágrima de Chafariz, moça chorosa que vivia querendo contar sua linda história de amor, na verdade era uma fraude ambulante — uma versão gospel da Viúva Porcina com diploma de curso livre em enrolação emocional! A danada da moça loira, que fingia pureza, era a mesma sirigaita que botava medo nos pescadores e deixava as galinhas da vila mais inquietas que pombo em dia de festa. A tal Chorona do Chafariz? Era ela mesma: a antiga ladra de galinha. Ou de pato? Rapaz... caiu na rede, é peixe! Pitiú dos...

Crônicas da Festa.

                       Arte : Fabiano Aguiar.                       CRÔNICA DA FESTA . Texto: Silvana Valente.  Queridos leitores, é chegada a hora de partir. Volto para a minha vida “normal” — ou o que se pode chamar de normalidade depois de viver treze dias com o coração em festa e os pés fincados em memória. Sempre tive as melhores recordações das festas de Santo Antônio. Na infância, meus olhos brilhavam diante daquelas máquinas de sorvete dos anos 80 e 90 — o de morango era o preferido. Ainda vou comprar uma daquelas, só pra ver se o gosto da infância ainda mora na primeira lambida. Tinha também o aviãozinho, aquele brinquedo que meu pai nunca achava perigoso. E as noites terminavam em jantares no Cliper de Santo Antônio. Naquela época, o Círio era noturno — e podia sair do São Benedito, do São Sebastião ou do Perpétuo Socorro. Eu não tinha muita noção de tempo, e...

CACHAÇA COM TUA MÃE

  ESSE É O CACHAÇA COM A TUA MAE. Senhoras e senhores, no reino encantado de cobras e lagartos, onde o batom é veneno e o rímel escorre com lágrima de inveja, eis que começa mais um episódio de Treta Gospel - Edição Origens. Fiquem atentos, porque o “Cachaça com Tua Mãe” chegou pra te embebedar de verdades, e as senhorinhas da beira da esquina vão precisar de muita linha de tricô pro casamento primaveril em pleno outono. Exu, Exu... sou tua noiva! Diante do grande templo sagrado, o olho mágico do “Cachaça com Tua Mãe” presenciou o enrosco da nova odalisca do reino... Branquinha, esguia, de cabelos negros como as asas de uma graúna (com progressiva e tudo), ela balança o esqueleto e o templo treme. A escolhida da vez do Rei Ogro exibe seus papiros com mensagens de amor, presentes fotográficos e mimos como se fosse ceia de Natal em grupo de jejum coletivo. Mas como toda história boa tem um tempero picante, eis que surge o ex da nova odalisca — um mago ressentido e entalado com afeto ...

Entre Pupunhas e maldições: O romance que rodou a praça.

 Entre Pupunhas e maldições: Um romance que rodou a praça. Extra! Extra! Soai os tambores e erguei as taças: o Treta Gospel ressuscitou dos mortos como Lázaro em dia de culto! Poderia, sim, ter sido uma terna e gloriosa história de amor. Poderia... Mas a donzela de língua ferina, boca de sentina e alma envenenada não permitiu. Ó peste maldita! Desde que o mundo é mundo, lá estava ela, destilando sua saliência ungida nos corredores do templo! Era o alvorecer da década de noventa. Tempos em que os plebeus se reuniam na Praça do Rei Nacional defunto — aquele cuja imagem repousa em bronze mas cujas músicas ainda uivam pelos ventos da memória. Ali, nas redondezas da praça encantada, o povo girava, rodava, e girava de novo — feito pião de feira. Dali brotaram muitos casais, mais do que nos tempos das grandes enchentes! Os rios do reino, coitados, nem ousavam competir com a mulher que, sentada à beira do chafariz, chorava tanto que inundava a alma dos passantes. De suas lágrimas nasciam o...

Aquarela "Ximanga: História escrita com Pincéis

 Aquarela Ximanga: História escrita com Pincéis.  Há alguns anos, em uma visita à casa do meu irmão Ismaelino Valente, avistei uma obra que encheu meus olhos de encantamento. Curiosa, perguntei de quem era, e ele me disse que era de Anita Panzuti. "Você sabe quem é?", perguntou. Eu disse que não, e ele então me contou que era nossa conterrânea. Naquele momento, um pensamento me atravessou: como assim nossa conterrânea, e eu nunca tinha ouvido falar dessa grande pintora? Saí de lá sedenta por conhecer mais sobre aquela mulher que tocou minha alma com sua arte. Mergulhei em pesquisas e, recentemente, pedi ajuda ao professor Daniel Silva. Ele me enviou um belíssimo texto de Renato Athias sobre ela. Essa grande Ximanga, cujo verdadeiro nome era Ana Marques Batista, filha de Rosomiro Batista, deixou sua obra eternizada nos corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, enchendo-nos de orgulho com seu talento E ainda na passarela das mulheres brilhantes, surge ela: Giovana...

O Torneio da Barata Cascuda

Ei, escuta aqui: Pão bolorento, mas pra que tanto tormento? Não te agonies, pobre criatura das trevas; engolir teu próprio veneno sempre te fez mais forte. Afinal, é de bolô que te alimentas. Não ligo para que horas são, só quero ouvir o bem-te-vi cantar na minha janela, anunciando a tua perdição... No torneio, o que se via era a Barata Cascuda, forçando simpatia. Mas e o rei ogro, onde estava? Perai, a hora dele vai chegar. Respira.O Treta Gospel de hoje já vai começar. O Torneio da Barata Cascuda Era uma vez, num reino tão, tão distante que até o GPS desistia de atualizar, um evento anual que causava frisson entre os súditos: o Torneio da Barata Cascuda. Mas não se engane, pois aqui não havia justas entre cavaleiros nem bailes com sapatinhos de cristal. O grande destaque era ela: a barata. Não uma barata qualquer, mas A Barata Cascuda. Toda emperiquitada, de antenas bem penteadas e casco duro feito muralha medieval, a Cascuda fazia questão de se exibir. E falava, viu? Falava mais do ...

Atenção para a Chamada .

Nosso legado não pode se perder Semana passada, fiz um bate e volta em Alenquer para resolver questões pessoais, mas, no meio do caminho, reencontrei um dos responsáveis pelo meu fascínio pela comunicação ainda na infância: Frank de Oliveira. Quem lembra dos tempos da “Naton Publicidade” e da TV Montes Claros? Eu lembro! Com um saudosismo que aquece o peito. Sentados na calçada de sua casa, ao lado da companheira de uma vida, Elianai conversamos sobre tantas histórias… Compartilhei com eles uma música que fiz em parceria com um dos nossos grandes artistas, nascido e criado em Alenquer, lá na Avenida Pedro Vicente: Gonzaga Blanches. Durante esse papo maravilhoso, Frank me contou algo que me pegou de surpresa. Falou sobre uma irmã do meu pai, alguém que eu nunca soube que tinha uma veia artística. Compunha, escrevia poesias… e, assim como eu, tinha  filhos ruivos. Fiquei intrigada. Ao voltar para Manaus, fui direto perguntar à minha prima, Neila Valente, sobre essa história. Ela entã...