24 de outubro de 1996.
Eram pouco mais de sete da manhã. Eu estudava no Colégio Moderno.
Ao entrar, meus olhos pousaram no orelhão à direita e um pressentimento me atravessou o peito.
Senti que não poderia esperar até mais tarde para lhe dar os parabéns.
Peguei o telefone e disquei.
Do outro lado, a tua voz… já não era a mesma.
O Marechal da Vitória, o homem imponente que sempre enfrentou a vida de cabeça erguida,
lutava contra um inimigo invisível há mais de um ano , e eu percebi, ali,
que a batalha estava chegando ao fim.
Disse que te amava e desliguei.
Corri ao banheiro e chorei copiosamente.
Agradeci a Deus pela graça de ter sido tua filha
e pedi que Ele aliviasse teu sofrimento.
Foi quando percebi o quanto eu era egoísta:
todos os dias pedia que Deus te deixasse comigo,
sem entender que os heróis também merecem descanso.
Três dias depois, quando minha mãe te disse que eu havia chegado,
você respondeu com a doçura de sempre:
"A minha filha querida chegou?"
E então, partiu.
Já vivi muitas dores, mas nenhuma se compara àquele adeus.
Ainda hoje, as lágrimas vêm quando lembro da tua voz,
da tua presença firme, do teu olhar que impunha respeito e transmitia amor.
Sei que você nunca vai ler nenhuma linha escrita nesta rede social,
mas quis deixar registrado
para que eu me lembre sempre de onde eu vim
e do que nunca devo aceitar:
a falta de dignidade, o desrespeito, a covardia.
O tempo passou, pai, mas o amor permanece intacto.
Ainda converso contigo nas minhas orações.
Ainda sinto orgulho de ser tua filha.
E hoje, mais uma vez, digo com o mesmo coração de menina:
eu ainda te amo muito, meu pai.

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