Naquele rincão onde o tempo parece cochilar à sombra das mangueiras e os causos ganham asas ao cair da tarde, ecoou mais um capítulo do já famoso Treta Gospel, anunciado em tom de arauto: “Extra, extra!”, já iam dizendo, “qualquer semelhança com a realidade é mera saliência da minha parte" Era sábado de aleluia, dia em que, segundo os antigos, o mundo dos vivos e dos que já partiram se roçam como véus ao vento. Mas naquele ano,não houve Judas pendurado. Em seu lugar, surgiu ela: a lendária Jurupari da Coaracy. Dizem que, enquanto as almas seguiam seu cortejo silencioso rumo à Igreja de São Benedito, em busca de preces e redenção, a tal criatura resolveu antecipar a própria liturgia. Apareceu primeiro, audaciosa, quase solene, quase profana, subindo sem cerimônia sobre um caixão ainda cercado de murmúrios. E não veio de qualquer jeito, não. Veio com sua sandália enfeitada de paticholi ainda da época que nem o Zé Bonitinho existia, reluzente como se tivesse atravessado ...