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Mostrando postagens de setembro, 2025

A Cidade que me esperava .

  A Cidade Que Me Esperava A dor humilha. Há mulheres que tentam dar conta de tudo, mesmo quando estão despedaçadas por dentro. Entre sentir demais e se anestesiar para sobreviver, eu aprendi que amadurecer é encontrar a linha tênue entre se permitir e se proteger. É atravessar a dor até o renascimento, aprendendo a ser inteira e a amar a si antes de amar o mundo. Foi nesse estado de alma que sonhei que voltava para casa. Não a casa onde moro, mas aquela onde mora tudo o que sou: o cheiro do rio, as lembranças da infância, o silêncio das coisas que nunca se dizem. No sonho, peguei um barco. Era como se o tempo remasse comigo, empurrando as águas para que eu retornasse às raízes. Mas o destino,sempre cheio de caprichos, me deixou em outra cidade. Não era a minha, mas havia nela algo de familiar: ruas em declive, casas que conversavam pelas janelas abertas, uma igreja abençoando os passos de quem passava. Tudo ali era antigo, mas ainda vivo, como as saudades que se recusam a morrer. ...

Memórias do Majestoso Grupo

  Memórias do majestoso Fulgencio Simões Toc, toc, toc... lá vinha ela: Maria Dalilia de Oliveira Martins. Impecável, elegante no seu salto agulha, vestida com seu taiê colorido, cabelo joãozinho, esbanjando autoridade e impondo respeito. Ah, e como nos cobrava disciplina e educação! Confesso: foram os melhores anos da minha vida escolar no querido Fulgencio Simões. Eu mesma havia pedido pra sair da Tia Carícia porque “todo mundo” estudava no grupo. Mal sabia eu que estava entrando em um lugar que deixaria marca eterna na minha história. Maria Dalilia não deixava passar nada, e quem ousasse desafiar os bons modos já sabia: “Escreva 100 vezes: devo respeitar a minha professora”. O castigo vinha com gosto de aprendizado e hoje, com maturidade, só consigo agradecer. Naquela época, convivíamos com tantos colegas inesquecíveis: Sió, Kátia, Rubens, Tayssa… a lista é longa e cheia de boas risadas. Ainda sinto o cheiro da minha primeira melissinha de morango, uma conquista que parecia o au...