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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

O ÚLTIMO ATO DE AMOR

  O Último Ato de Amor Letícia nunca foi de multidões. Gostava do silêncio tanto quanto de um bom vinho. Apreciava a companhia de poucos, e, na maioria das vezes, preferia a sua própria. No início, ele achava isso encantador. Dizia que ela era um mistério, uma incógnita que queria decifrar. Com o tempo, porém, esse encanto se tornou incômodo. Os anos passaram, e a relação que um dia fora fogo agora era brasa fria, resistindo mais por costume do que por paixão. Os jantares românticos deram lugar a silêncios constrangedores, e as noites de conversa até o amanhecer foram substituídas por olhares vazios e frases curtas. Ela tentou reacender o que um dia tiveram—marcar viagens, mudar a rotina, relembrar promessas antigas. Mas amor não se sustenta na obrigação de existir. Sozinha na sala, Letícia segurava uma taça de vinho tinto enquanto ouvia a chuva lá fora. Sabia que chegara ao ponto em que precisava decidir: permanecer por medo da mudança ou partir em busca de algo que talvez nem sou...

Tarcila e os segredos do tempo.

Tarcila e os Segredos do Tempo Tarcila sempre andou dois passos à frente. Enquanto a cidade seguia no compasso arrastado dos dias previsíveis, ela cortava o vento com suas opiniões afiadas, um sorriso insolente e uma postura irretocável. Aos olhos alheios, era uma mulher resolvida, destemida, incapaz de se curvar diante do olhar de censura dos outros. Ela discutia política sem hesitação, falava de liberdade como quem falava de café, e fazia questão de expor a hipocrisia escondida nos sorrisos educados da elite local. Alguns a admiravam em silêncio. Outros, incomodados, cochichavam que uma moça assim jamais encontraria seu lugar. Mas Tarcila não parecia se importar. No entanto, havia algo nela que ninguém percebia — um silêncio que surgia nos momentos em que ninguém olhava. Sua segurança era um escudo bem construído, mas por trás dele, havia portas trancadas com segredos que jamais seriam compartilhados. Toda noite, antes de dormir, ela abria uma gaveta trancada à chave. Lá dentro, um m...

A Dama da Vergonha e o Cavaleiro do Desonro

   Respeitável público tenho a honra de avisar que : " Alô, alô  o Treta Gospel voltou, o Treta Gospel Voltou ..." Queridos e gentis leitores,( é, eu "emprestei" de Bridgerton) estavam com saudades dessa aspirante a escritora com ideias borbulhando nas madrugadas intermináveis  e que gosta das vestes cheias de escárnio e engenhosidade? Então, eis-me aqui, para atiçar os seus pensamentos pravos. Era uma vez, no reino tão, tão, distante.... A Dama da Vergonha e o Cavaleiro do Desonro No vasto Reino de Ardentia, onde os nobres se vestiam de ouro e os plebeus de paciência, havia uma figura cuja reputação cheirava pior que queijo esquecido ao sol. Chamavam-na de Lady Genoveva, mas pelas vielas e tavernas, era conhecida como "A Boca Maldita de Ardentia". Genoveva era uma mulher de traços finos… ou melhor, teria sido, não fosse pelo nariz avantajado, que parecia apontar para os problemas alheios antes mesmo dela abrir a boca. E que boca! Sua voz estridente cortav...