O Último Ato de Amor Letícia nunca foi de multidões. Gostava do silêncio tanto quanto de um bom vinho. Apreciava a companhia de poucos, e, na maioria das vezes, preferia a sua própria. No início, ele achava isso encantador. Dizia que ela era um mistério, uma incógnita que queria decifrar. Com o tempo, porém, esse encanto se tornou incômodo. Os anos passaram, e a relação que um dia fora fogo agora era brasa fria, resistindo mais por costume do que por paixão. Os jantares românticos deram lugar a silêncios constrangedores, e as noites de conversa até o amanhecer foram substituídas por olhares vazios e frases curtas. Ela tentou reacender o que um dia tiveram—marcar viagens, mudar a rotina, relembrar promessas antigas. Mas amor não se sustenta na obrigação de existir. Sozinha na sala, Letícia segurava uma taça de vinho tinto enquanto ouvia a chuva lá fora. Sabia que chegara ao ponto em que precisava decidir: permanecer por medo da mudança ou partir em busca de algo que talvez nem sou...