Tarcila e os Segredos do Tempo
Tarcila sempre andou dois passos à frente. Enquanto a cidade seguia no compasso arrastado dos dias previsíveis, ela cortava o vento com suas opiniões afiadas, um sorriso insolente e uma postura irretocável. Aos olhos alheios, era uma mulher resolvida, destemida, incapaz de se curvar diante do olhar de censura dos outros.
Ela discutia política sem hesitação, falava de liberdade como quem falava de café, e fazia questão de expor a hipocrisia escondida nos sorrisos educados da elite local. Alguns a admiravam em silêncio. Outros, incomodados, cochichavam que uma moça assim jamais encontraria seu lugar. Mas Tarcila não parecia se importar.
No entanto, havia algo nela que ninguém percebia — um silêncio que surgia nos momentos em que ninguém olhava. Sua segurança era um escudo bem construído, mas por trás dele, havia portas trancadas com segredos que jamais seriam compartilhados.
Toda noite, antes de dormir, ela abria uma gaveta trancada à chave. Lá dentro, um maço de cartas, amareladas pelo tempo, repousava ao lado de uma fotografia antiga. A imagem mostrava um homem de olhar intenso, uma sombra de sorriso e um nome que ninguém mais mencionava.
Tarcila passava os dedos sobre o rosto na foto, como se quisesse absorver algo que se esvaía com os anos. Seus olhos firmes e destemidos, que enfrentavam o mundo sem medo, ganhavam um brilho diferente — um quê de saudade, de culpa, de algo inacabado.
Depois de alguns instantes, fechava a gaveta e trancava-a novamente, guardando não apenas as cartas, mas também a parte de si que ninguém conhecia. Amanhã, voltaria a ser a mulher que desafiava o tempo. Mas, entre quatro paredes, seus segredos sussurravam verdades que nem ela ousava dizer em voz alta.
Depois de trancar a gaveta, Tarcila fitou seu próprio reflexo no espelho. Quem a visse na rua jamais imaginaria que, por trás de tanta convicção, havia uma sombra persistente. Mas afinal, qual era o grande segredo que ela escondia? E, mais do que isso, do que realmente tinha medo?
Depois de trancar a gaveta, Tarcila fitou seu próprio reflexo no espelho. Quem a visse na rua jamais imaginaria que, por trás de tanta convicção, havia uma sombra persistente. Mas afinal, qual era o grande segredo que ela escondia? E, mais do que isso, do que realmente tinha medo?
Texto dedicado à seguidora do Facebook, Celiane Duarte, que sugeriu o nome "Tarcila" para a criação de uma nova personagem.
(Este não é um Treta Gospel.)
Por Silvana Valente

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