Pular para o conteúdo principal

A MOÇA DO GALINHEIRO E O GIRINO SEDUTOR


     A moça do Galinheiro e o Girino Sedutor. 


Texto: Silvana Valente. 

🚨 EXTRA! EXTRA! TRETA GOSPEL NO AR! 🚨

Prepare-se, povo de passo lento, que lá vem história pra turbinar sua semana!

Era uma vez, num vilarejo tão, mas tão distante, onde o tico-tico não canta junto com o beija-flor e o cururu nasceu se achando girino estrela...

Descobri, assim como quem vai só comprar um sabão no mercadinho e volta com fofoca fresca, que alguém caiu no conto da vigarice! A tal da Lágrima de Chafariz, moça chorosa que vivia querendo contar sua linda história de amor, na verdade era uma fraude ambulante — uma versão gospel da Viúva Porcina com diploma de curso livre em enrolação emocional!

A danada da moça loira, que fingia pureza, era a mesma sirigaita que botava medo nos pescadores e deixava as galinhas da vila mais inquietas que pombo em dia de festa.

A tal Chorona do Chafariz? Era ela mesma: a antiga ladra de galinha. Ou de pato? Rapaz... caiu na rede, é peixe!

Pitiú dos brabos!

Mais lisa que sabonete molhado e cheia de espinha pra engasgar fofoqueira veterana, a história dava nó até na língua da Dona Cotinha, que ouvia tudo pela janela da cozinha.

E agora, atenção: entra em cena Maria Assanhada. Nome de batismo, ninguém sabe. Mas o apelido? Ganhou cedo! Começou o namorico ainda na adolescência, escondida atrás da igreja. Enquanto isso, seu pai recebia uma visita formalíssima: um soldado de nome esquisito, todo empinado, que exibia com orgulho retratos da guarda real.

Encantado com o suposto bom partido, o pai mandou a irmã mais nova — a terrível Pixirica Detetive — buscar Maria Assanhada. Só que a criatura voltou mentindo descaradamente. O pai, desconfiado, mandou ela procurar em todas as casas da rua. A menina, exausta e com bolha no pé, foi orientada pela própria Maria: — Resolve isso aí do teu jeito!

Aí Pixirica não perdoou: — Pai, ela tá namorando sim. E esse aí nem é o único! Tem uma lista que parece chamada de escola!

O soldado de nome estranho sorriu amarelo, fechou o álbum de retrato e saiu mais calado que peixe em tanque.

Mas Maria Assanhada? Continuou firme no seu ministério sentimental: namorava aqui, ali, acolá. E, nos intervalos, praticava sua modalidade preferida: roubo recreativo de galinhas e patos.

Foi aí que entrou Girininho Sedutor, o verdadeiro crush da Assanhada. Um galã dos anos 80, filho de sapo com alma de cantor de lambada, topete de laquê e um olhar de quem já sambou em mais coração do que bloco de Carnaval.

Foi por ele que Maria quase perdeu a crisma. Disfarçada de macaco, pulou o muro da casa, atravessou o quintal do vizinho e foi ao baile do povão. Quando os pescadores viram aquela criatura peluda pulando na madrugada, fugiram pras canoas achando que era assombração da lagoa!

Assanhada voltou como se nada tivesse acontecido, dormiu o sono dos justos e ainda sonhou com marchinha de Carnaval.

No café da manhã, o pai largou a bomba: — Aquele moço que veio te pedir pra namorar passou a noite dançando com um macaco.

Assanhada? Séria como um sermão de quarta-feira. Nem piscou.

Mas o Girininho não era flor que se cheire. Mulherengo, enrolado, traiu Assanhada com a Mamão Macho, uma mulher que parecia ter sido moldada a marretada, com voz de barítono e braço de açougueiro.

Aí foi demais. Maria Assanhada, Pixirica Detetive e mais uma galera revoltada se juntaram e deram no Girininho um corretivo tão grande que virou testemunho.

A surra foi tão épica que, pra se livrar da culpa e das dores musculares, o Girininho virou carregador de pedra. Disse que era pra fortalecer o corpo — mas todo mundo sabia que era tentativa de redenção espiritual.

😱 Ei, segura o grito! Que a parte dois vem aí...

Dizem que dessa vez tem uma fita VHS amaldiçoada, uma revelação no monte e uma profeta que prevê traições pelo cheiro da gasolina...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crônicas da Festa.

                       Arte : Fabiano Aguiar.                       CRÔNICA DA FESTA . Texto: Silvana Valente.  Queridos leitores, é chegada a hora de partir. Volto para a minha vida “normal” — ou o que se pode chamar de normalidade depois de viver treze dias com o coração em festa e os pés fincados em memória. Sempre tive as melhores recordações das festas de Santo Antônio. Na infância, meus olhos brilhavam diante daquelas máquinas de sorvete dos anos 80 e 90 — o de morango era o preferido. Ainda vou comprar uma daquelas, só pra ver se o gosto da infância ainda mora na primeira lambida. Tinha também o aviãozinho, aquele brinquedo que meu pai nunca achava perigoso. E as noites terminavam em jantares no Cliper de Santo Antônio. Naquela época, o Círio era noturno — e podia sair do São Benedito, do São Sebastião ou do Perpétuo Socorro. Eu não tinha muita noção de tempo, e...

Entre Pupunhas e maldições: O romance que rodou a praça.

 Entre Pupunhas e maldições: Um romance que rodou a praça. Extra! Extra! Soai os tambores e erguei as taças: o Treta Gospel ressuscitou dos mortos como Lázaro em dia de culto! Poderia, sim, ter sido uma terna e gloriosa história de amor. Poderia... Mas a donzela de língua ferina, boca de sentina e alma envenenada não permitiu. Ó peste maldita! Desde que o mundo é mundo, lá estava ela, destilando sua saliência ungida nos corredores do templo! Era o alvorecer da década de noventa. Tempos em que os plebeus se reuniam na Praça do Rei Nacional defunto — aquele cuja imagem repousa em bronze mas cujas músicas ainda uivam pelos ventos da memória. Ali, nas redondezas da praça encantada, o povo girava, rodava, e girava de novo — feito pião de feira. Dali brotaram muitos casais, mais do que nos tempos das grandes enchentes! Os rios do reino, coitados, nem ousavam competir com a mulher que, sentada à beira do chafariz, chorava tanto que inundava a alma dos passantes. De suas lágrimas nasciam o...