Pular para o conteúdo principal

O Evangelho Segundo os Bastidores do Castelo





 E no Treta Gospel de hoje…

Era uma vez um reino tão, tão distante que as muralhas protegiam o castelo… mas não protegiam as reputações.

Entre banquetes, discursos solenes e orações em praça pública, desfilava a dama que se julgava bela como Atena. Caminhava com passos calculados, olhar treinado e postura copiada... porque sim, a corte inteira comentava que ela imitava a icônica Rainha Má.

Copiava o semblante.

Copiava a altivez.

Só não copiava o desfecho… por enquanto.

Enquanto isso, seu marido, cavaleiro real, coração e percepção em modo descanso,comemorava a promoção a comandante da guarda real do condado vizinho. Uma promoção tão conveniente que parecia ter sido escrita com tinta estratégica.

Dizem que inspiração veio direto da escola de conflitos de Ares, onde guerras não começam com espadas, mas com vaidades.

Os papiros perfumados iam e vinham pelos corredores do castelo. Até que um deles, por providência celestial (ou descuido do mensageiro), caiu nas mãos desta narradora, que apenas observa… e anota.

E toda vez que o casal entrava nos eventos reais, com fanfarras e taças erguidas , os soldados, duques e até os bardos mais discretos proclamavam em alto e bom som:

— “Lá vem o sócio do rei!”

O eco do deboche atravessava o salão como vento frio de inverno.

Ele sorria, orgulhoso.

Ela desfilava, confiante.

E a corte… assistia.

E para encerrar o Treta Gospel Medieval de hoje, deixo-vos um provérbio que poderia muito bem estar gravado nas paredes do castelo:

Nem toda coroa é sinal de honra.

Nem toda promoção é vitória.

E nem todo silêncio é ignorância.

Até o próximo capítulo… porque em reino onde há vaidade, sempre há continuação.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crônicas da Festa.

                       Arte : Fabiano Aguiar.                       CRÔNICA DA FESTA . Texto: Silvana Valente.  Queridos leitores, é chegada a hora de partir. Volto para a minha vida “normal” — ou o que se pode chamar de normalidade depois de viver treze dias com o coração em festa e os pés fincados em memória. Sempre tive as melhores recordações das festas de Santo Antônio. Na infância, meus olhos brilhavam diante daquelas máquinas de sorvete dos anos 80 e 90 — o de morango era o preferido. Ainda vou comprar uma daquelas, só pra ver se o gosto da infância ainda mora na primeira lambida. Tinha também o aviãozinho, aquele brinquedo que meu pai nunca achava perigoso. E as noites terminavam em jantares no Cliper de Santo Antônio. Naquela época, o Círio era noturno — e podia sair do São Benedito, do São Sebastião ou do Perpétuo Socorro. Eu não tinha muita noção de tempo, e...

Entre Pupunhas e maldições: O romance que rodou a praça.

 Entre Pupunhas e maldições: Um romance que rodou a praça. Extra! Extra! Soai os tambores e erguei as taças: o Treta Gospel ressuscitou dos mortos como Lázaro em dia de culto! Poderia, sim, ter sido uma terna e gloriosa história de amor. Poderia... Mas a donzela de língua ferina, boca de sentina e alma envenenada não permitiu. Ó peste maldita! Desde que o mundo é mundo, lá estava ela, destilando sua saliência ungida nos corredores do templo! Era o alvorecer da década de noventa. Tempos em que os plebeus se reuniam na Praça do Rei Nacional defunto — aquele cuja imagem repousa em bronze mas cujas músicas ainda uivam pelos ventos da memória. Ali, nas redondezas da praça encantada, o povo girava, rodava, e girava de novo — feito pião de feira. Dali brotaram muitos casais, mais do que nos tempos das grandes enchentes! Os rios do reino, coitados, nem ousavam competir com a mulher que, sentada à beira do chafariz, chorava tanto que inundava a alma dos passantes. De suas lágrimas nasciam o...

A MOÇA DO GALINHEIRO E O GIRINO SEDUTOR

     A moça do Galinheiro e o Girino Sedutor.  Texto: Silvana Valente.  🚨 EXTRA! EXTRA! TRETA GOSPEL NO AR! 🚨 Prepare-se, povo de passo lento, que lá vem história pra turbinar sua semana! Era uma vez, num vilarejo tão, mas tão distante, onde o tico-tico não canta junto com o beija-flor e o cururu nasceu se achando girino estrela... Descobri, assim como quem vai só comprar um sabão no mercadinho e volta com fofoca fresca, que alguém caiu no conto da vigarice! A tal da Lágrima de Chafariz, moça chorosa que vivia querendo contar sua linda história de amor, na verdade era uma fraude ambulante — uma versão gospel da Viúva Porcina com diploma de curso livre em enrolação emocional! A danada da moça loira, que fingia pureza, era a mesma sirigaita que botava medo nos pescadores e deixava as galinhas da vila mais inquietas que pombo em dia de festa. A tal Chorona do Chafariz? Era ela mesma: a antiga ladra de galinha. Ou de pato? Rapaz... caiu na rede, é peixe! Pitiú dos...