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O LABUBU DO DIABO

 

EXTRA, EXTRA! O TRETA GÓSPEL DO REINO DO Reino da Jaca Podre, chegou! 

Uma crônica medieval para almas curiosas e gargalhadas afiadas.

Ouvi, ouvi, ó nobres damas, valentes cavaleiros, moças prendadas e rapazes andarilhos!

Das profundezas do muito-o-que-fazer e das catacumbas do “não-acredito-que-isso-aconteceu”, emerge esta narradora para vos contar a saga , ou desgraça do mais pitoresco sujeito que já pisou no Reino da Jaca Podre .

Preparem-se, porque hoje o imaginário das almas desnudas e curiosas será mexido com força!

 O Protagonista? Um Parvo de Marca Maior.

Era uma vez, num reino tão, tão distante que até o mapa desistiu de procurar, um ladrão de galinhas. Sim, meus caros: o cabra surrupiou o galinheiro que o Chefe do Feudo havia deixado sob sua guarda.

Com o fruto da malandragem construiu sua casinha avaliada em 35 mil pilas... porque até para ser trambiqueiro precisa saber fazer contas.

Quando descobriram, o castigo foi o clássico medieval:

“rá, ré, rí, ró… RUA!”

Ensaboou-se, escorregou, sumiu no breu e correu a se esconder atrás de templos e pergaminhos sagrados, como quem tenta camuflar raposa no galinheiro usando hábito de monge.

Foi trabalhar numa caravela , ou assim dizia, mas nela transportava a famosa erva que fazia o povo conversar com Zeus.

Quando descobriram… adivinhem?

Rá, ré, rí, ró… RUA!

De novo.

Nos dias seguintes, nosso anti-herói se fez de santo, beato, iluminado. Ludibriou o rei, puxou a bolsa de comerciantes distraídos, inventou bênçãos duvidosas e espalhou malabarismos de fé aqui e acolá.

Mas como todo personagem fadado à própria ruína, ele encontrou o pecado que derruba até gigante:

A Luxúria.

Sim, minha gente.

Conversinhas suspeitas com a Rainha, bilhetes indecorosos enviados para damas do castelo, gravuras de regiões que nem cartógrafo medieval ousaria mapear…

Até as camareiras do reino discutiam, às risadas, a falta de proporção artística das tais ‘gravuras’ que ele tem no meio das pernas.

E como dizia o grande compadre Washington, filósofo de mesa de taverna e sábio das quebradas do feudo:

" Pau que nasce torto nunca se endireita " p

Pois dito e feito.

O sujeito escorregou nas próprias tramoias e fugiu do reino dizendo que a cavalaria queria envenená-lo,quando, na verdade, ninguém tinha tido trabalho sequer de afiar a espada.

No reino vizinho, continuou a saga da confusão:

Mais luxúria, mais trapalhadas, mais vergonhas que nem bardo bêbado ousaria cantar.

Enrolou uma meretriz, tomou-lhe o que tinha, e ainda saiu gargalhando como quem roubou pão da mesa do padre.

E agora?

Agora vive apavorado porque deve a cobradores sombrios do submundo financeiro, aqueles que cobram com sorriso amarelo e porrete em punho.

E segue o nosso personagem:

Fugindo, fingindo, disfarçando, e sempre, sempre! se escondendo atrás da Palavra divina como quem usa escudo de papel contra dragão.

Em suma:

Um parvo.

Um apedeuta.

Um pérfido fatídioso.

Um verdadeiro labubu do diabo ... ou, como dizem nas vielas do castelo, o chaveirinho favorito da Rainha, ainda que ela mesma negue até debaixo do calabouço ou da ratoeira, quando é o caso .

E assim termina (por enquanto!) a epopeia mais tragicômica do Reino da Jaca Podre 

Se preparem, porque onde esse sujeito passa…

Ou tem treta, ou tem trapalhada, ou tem milagre que ninguém pediu.


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