Nosso legado não pode se perder
Semana passada, fiz um bate e volta em Alenquer para resolver questões pessoais, mas, no meio do caminho, reencontrei um dos responsáveis pelo meu fascínio pela comunicação ainda na infância: Frank de Oliveira. Quem lembra dos tempos da “Naton Publicidade” e da TV Montes Claros? Eu lembro! Com um saudosismo que aquece o peito.
Sentados na calçada de sua casa, ao lado da companheira de uma vida, Elianai conversamos sobre tantas histórias… Compartilhei com eles uma música que fiz em parceria com um dos nossos grandes artistas, nascido e criado em Alenquer, lá na Avenida Pedro Vicente: Gonzaga Blanches. Durante esse papo maravilhoso, Frank me contou algo que me pegou de surpresa. Falou sobre uma irmã do meu pai, alguém que eu nunca soube que tinha uma veia artística. Compunha, escrevia poesias… e, assim como eu, tinha filhos ruivos.
Fiquei intrigada. Ao voltar para Manaus, fui direto perguntar à minha prima, Neila Valente, sobre essa história. Ela então me corrigiu: não era minha tia Nezi, mas sim minha prima Conceição Valente (já falecida). Infelizmente, seu legado se dissipou com o tempo… (Se alguém tiver algo guardado, alguma obra, algum escrito, adoraria ter acesso para resgatar e homenageá-la como merece).
Esse episódio reforçou em mim uma certeza que carrego há tempos: não podemos deixar a alma dos nossos artistas vagando no esquecimento. Tenho medo de que o tempo e a falta de registros culturais apaguem parte do nosso DNA artístico.
Temos grandes nomes que nasceram nesta terra e que precisam ser lembrados, celebrados, perpetuados! Precisamos nos embriagar da poesia do nosso cientista – de fato e de direito – Professor Daniel Silva. Ou melhor, Doutor Daniel Silva, um poeta que me inspira. Já pararam pra pensar o quanto ele pode nos ensinar?
Meu irmão, Ismaelino Valente…( o Caquinho ) O cara que eu gostaria de ser quando crescer! Sentimos falta das suas publicações. Volte, pois sua voz faz falta.Te amo, te admiro, te respeito.
E você, Celma Leite, onde estão suas lindas músicas? Está chegando a festa de Santo Antônio, e sua presença é indispensável! Você é uma peça essencial dessa tradição.
Tudo o que vem de Gonzaga Blanches carrega talento, maestria e um profundo regionalismo, transportando-nos a um saudosismo que resgata e celebra uma cultura que jamais poderá ser esquecida. Mais do que isso, essa herança cultural deveria ser perpetuada para as futuras gerações.
Gonzaga é talento! Gonzaga é nosso curió de canto doce, uma voz que ecoa arte, tradição e identidade. Seu trabalho é mais que expressão, é legado!
Seu novo projeto está maravilhoso e merece ser ovacionado!
Afinal, arte que não ecoa é como rio sem correnteza: existe, mas não se move. E nós nascemos para fluir, para cantar, para deixar nossa marca no tempo. Então, que se ergam os versos, que se soltem as melodias, que a arte tome de volta seu espaço e encha de cor, som e sentimento essa nossa Alenquer tão rica de talentos.
O tempo pode passar, mas aquilo que é eterno na alma de um povo jamais deve se perder.
Com carinho ❤️
Silvana Valente.

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