Memórias do majestoso Fulgencio Simões
Toc, toc, toc... lá vinha ela: Maria Dalilia de Oliveira Martins. Impecável, elegante no seu salto agulha, vestida com seu taiê colorido, cabelo joãozinho, esbanjando autoridade e impondo respeito. Ah, e como nos cobrava disciplina e educação! Confesso: foram os melhores anos da minha vida escolar no querido Fulgencio Simões.
Eu mesma havia pedido pra sair da Tia Carícia porque “todo mundo” estudava no grupo. Mal sabia eu que estava entrando em um lugar que deixaria marca eterna na minha história. Maria Dalilia não deixava passar nada, e quem ousasse desafiar os bons modos já sabia: “Escreva 100 vezes: devo respeitar a minha professora”. O castigo vinha com gosto de aprendizado e hoje, com maturidade, só consigo agradecer.
Naquela época, convivíamos com tantos colegas inesquecíveis: Sió, Kátia, Rubens, Tayssa… a lista é longa e cheia de boas risadas. Ainda sinto o cheiro da minha primeira melissinha de morango, uma conquista que parecia o auge da moda infantil! Também me lembro de quando fui oradora da turma no ABC, lá na antiga Câmara Municipal. Quem diria que, anos depois, alguém ousaria tocar fogo naquele prédio tão simbólico?
E como esquecer do seu Cloves? Sempre presente, como um guardião silencioso, zelando por cada aluno com carinho e atenção. Conhecia todos pelo nome e parecia adivinhar quando estávamos aprontando.
Tínhamos rotina: cantar o hino antes de entrar, andar comportados, mas sempre com um pezinho no medo daquela sala misteriosa que escondia “ossos”. Reza a lenda que ali já tinha sido um cemitério,e nós, com a imaginação fértil, jurávamos ouvir barulhos suspeitos.
O Fulgencio Simões não é só uma escola centenária, é um palco de histórias, de amizades e de grandes alenquerenses. Aliás, se você ainda não conhece a trajetória do patrono, recomendo: Fulgencio foi, na minha opinião, o maior ximango da história. Um verdadeiro gigante que merece ser lembrado.
Professores maravilhosos passaram por ali e moldaram vidas. Guardo no coração nomes como Antônia Pachaoca, Regina Figuriredo, Ludeco (ah, professor Oswaldo, o senhor merecia uma estátua!), Marisa, Leila… e tantos outros que me perdoem a memória, mas nunca o coração.
No último dia 1º, o majestoso templo do saber Fulgencio Simões completou mais um aniversário. E eu, tomada pela saudade boa, resolvi registrar aqui um pedaço das minhas lembranças. Porque algumas histórias precisam ser eternizadas,e as minhas melhores memórias têm endereço certo: o Fulgencio.

Parabéns 👏 👏 Silva Valente , lindo texto, e ao nosso Fulgencio Simões a nossa história sempre estará viva nos seus corredores e quadra... Que esse monumento seja eterno...
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