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A Duplicidade de Mariazinha do Bole Bole no Reino Encantado

 








Treta Gospel de Hoje: A Duplicidade de Mariazinha do Bole Bole no Reino Encantado


Caros leitores, preparai-vos para uma narrativa que desvela os véus da hipocrisia e da feitiçaria ocultas sob a fachada da virtude. No Treta Gospel de hoje, exploraremos as artimanhas de Mariazinha do Bole Bole, uma figura que, enquanto proclama fervor religioso, recorre às artes negras sempre que lhe convém.

Em tempos ancestrais, quando dragões ainda sobrevoavam os céus e magos teciam encantamentos nas florestas sombrias, surgiu no reino encantado uma donzela de nome Mariazinha do Bole Bole. Ninguém sabia ao certo de qual caverna ou bosque ela emergira; diziam uns que seu pai fora um garimpeiro de índole duvidosa, enquanto outros sussurravam que sua mãe trilhara os caminhos das cortesãs nos acampamentos de mineração.

Mariazinha, com astúcia e ambição desmedida, uniu-se em matrimônio a um mercador abastado. Contudo, sua sede por riquezas levou-o à ruína, e ela, sem remorsos, prosseguiu em sua escalada social. Assumindo a máscara de uma dama recatada e devota, era vista frequentemente nos templos, entoando cânticos e participando de rituais sagrados. No entanto, nas sombras da noite, recorria à magia negra para alcançar seus objetivos, participando de cerimônias proibidas que subvertiam os ritos sagrados.

Sua avareza não conhecia limites. Ludibriava costureiras, manicures e cabeleireiras, apropriando-se de seus serviços sem justa retribuição. Nos mercados do reino, era conhecida por adquirir vestes finas, usá-las em banquetes e, posteriormente, devolvê-las com sinais evidentes de uso, alegando que não lhe serviam. Quando confrontada, não hesitava em culpar suas criadas, lançando-lhes o peso de suas transgressões.

Em uma ocasião, ao tomar emprestada uma túnica de um brechó para uma festividade, foi desmascarada pela vendedora ao tentar devolvê-la após o uso. No primeiro aniversário de sua filha, adornou-se com vestes e calçados emprestados. Posteriormente, espalhou rumores de que a dama que lhe cedera tais adornos mantinha um caso com seu esposo, o Ogro Ladrão, afirmando ter descoberto a suposta traição através de mensagens de um espelho mágico.

Mariazinha, embora envolta em escândalos e traições, sempre projetava suas faltas nas outras, rotulando-as de meretrizes, enquanto ela própria trilhava caminhos de infidelidade. Seu olhar serpentino prenunciava desventuras para aqueles que ousassem cruzar seu caminho, especialmente quando cerrava os olhos e arqueava os lábios em um sutil biquinho.

Ó leitores, que destino aguarda Mariazinha do Bole Bole? Em um reino onde a magia e a justiça coexistem, é inevitável que os atos de malícia e corrupção retornem ao seu ponto de origem. Que esta crônica sirva de reflexão sobre as dores e sofrimentos que a ambição desmedida e a falta de escrúpulos podem infligir ao mundo. Pois, em última instância, o tecido da realidade é talhado pelas ações de cada indivíduo, e aqueles que semeiam ventos, invariavelmente, colhem tempestades.

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